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Por que Paris?

16 de março de 2015

Por: Simone Paulino

Nascer na primavera, em Paris, é sensacional. Não poderia haver um momento mais marcante e poético, com o Brasil e a nossa literatura recebendo um olhar mais demorado de todo o mundo. Mas eu também me faço o tempo todo uma pergunta parecida com essa: “Como assim, Paris?” Porque se trata de outra paixão antiga.  Claro que todo mundo ama Paris, mas eu amava Paris sem conhecer Paris. Sonhei com Paris. Escrevi sobre Paris. A primeira história que escrevi na vida era uma história rocambolesca que se passava na época da Revolução Francesa, lembro de procurar os nomes dos personagens numa coleção de livros de história que tinha Danton, Rosseau, Robespierre. Na época eu era só jornalista, estava na escola de escritores, nem pensava em fazer mestrado em literatura, muito menos ser editora. Desisti da história, joguei fora.

Muitos anos depois, isso deve fazer uns dez anos, vi um guia de Paris na casa da minha irmã, tinha umas fotos lindas, eu comecei a folhear a me emocionei às lágrimas, do nada. Não sabia por que, como não sei o porquê de tantas coisas. Só fui conhecer Paris muito mais tarde, em 2011 e a paixão só aumentou. Hoje acho que eu tinha uma espécie de premonição de que algo magnífico me aconteceria em Paris, mesmo sendo meio inverossímil em se tratando de alguém que veio da periferia do mundo como eu.

Ano passado, em outubro (outono na Europa) conheci o Leonardo Tônus, na Feira do Livro de Frankfurt. Eu já conhecia o trabalho dele, mas ele não me conhecia. Numa manhã fria, os corredores ainda vazios, nos encontramos e uma hora depois de conversa, parecia que éramos amigos de infância. Naquele dia, o Léo me convidou para fazer uma palestra na Sorbonne, o convite mais extraordinário que recebi na vida e que guardei quase em segredo até que chegasse o convite oficial porque eu mesma não acreditava que aquilo era verdade! Quando em janeiro tomei a decisão de fechar um ciclo e abrir outro, eu contei para o Leonardo os meus planos, ele me fez outro convite, mais inacreditável ainda, de lançar a Editora Nós na Primavera Literária Brasileira!

Nesse meio tempo, enquanto nós desenvolvíamos a parte jurídica da Editora, montávamos o business plan, criávamos a marca, o Guazzelli escreveu uma história em quadrinhos, que dialogava com o atentado ao Charlie Hebdo. Ele me mostrou displicentemente durante um dos nossos cafés e quando eu vi aquilo pensei: isso é muito bom, muito atual, muito forte, muito político. E muito Paris. E me veio o impulso: vamos fazer? Ele topou na hora e começamos a trabalhar no projeto. Resultado: a Nós vai lançar o Apocalipse nau, na primavera, em Paris, na Sorbonne. E eu estarei numa mesa com a Paula Anacaona, para falar da internacionalização da literatura brasileira.

É como eu disse: a flor aparece agora, mas o cultivo disso tudo é imemorial e os encontros, todos, movidos por essa coisa misteriosa que se chama afinidade eletiva.