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Felicidade Submersa

Gênero(s): Poesia,

 

Quando a própria busca é um encontro, os passos que alguém dá e como os dá, para onde olha, o que põe na boca – leite quente ou geleia de laranja, algo gelado ou amargo – o que toma nas mãos e a textura que sente – de silêncio ou de tijolo, maciez de óculos pousados na mesa -, tudo é absolutamente importante. Vida a cada coisainstante. Tudo tão revelador e digno de reparo quanto o que se lembra, dói, lamenta, preenche, até a falta que também, estranhamente, completa. “Não importa a forma”, mas importa. A forma é o poema, é o conto, é um diálogo de oito faces; a prosa cheia de lirismo, um teatro de versos, poesia que se põe de pé sozinha e ao mesmo tempo constrói uma narrativa. Escolha ou não escolha definir como se chama um texto, submergir em cada um e em si, eis a felicidade que Roberto Parmeggiani nos propõe. Profundo encontro. Pelas dúvidas que semeia, entrega certezas sobre os passos que nos fazem humanos. Se é uma busca, este livro é um caminho. O autor empresta os tantos dele, um monte de mundo entre Itália e Brasil, para os nossos pés. E talvez depois de ler você chame ainda de outra coisa o que é o livro: “As palavras, somente as palavras vão nos salvar. Como uma ponte, iremos de um para outro (…) Quando nos sentirmos sós, teremos uma ponte”.

André Argolo