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Um teto todo nosso

5 de maio de 2015

Por: Simone Paulino

Sempre gostei de arquitetura. Sobretudo daquilo que na arquitetura é abrigo. Das formas que se juntam para criar um lugar de estar no mundo. Nas minhas ingênuas esperanças sempre desejei que todas as pessoas no mundo inteiro tivessem uma casa digna onde pudessem descansar o corpo e a alma, e estarem protegidas de tudo.

Ontem falávamos de um livro que está no nosso horizonte de publicação. E divagávamos sobre a relação do eu e do nós com o espaço. De como somos outros quando em lugares diferentes. E do quanto o lugar ideal é aquele que comporta o que fomos, o que somos e o que ainda seremos.

Esta semana encontramos o nosso lugar. O local onde instalaremos fisicamente a Editora Nós, nossos projetos, ideias e desejos. Demoramos nessa busca, entre outras coisas, porque não queríamos qualquer lugar. Queríamos um espaço que correspondesse aos nossos anseios mais profundos de ser e estar, aqui e agora, no tempo presente, na vida presente.

Maio, portanto, começa assim, com a deliciosa tarefa de nos instalar fisicamente e decorar (suspeito que essa palavra tenha algo a ver com coração) o nosso ambiente. E eu amanheci pensando que o principal para a casa nova já tinha: livros. Eles que são a alma de tudo em mim. E que hão de ser a alma de muitos de Nós.

Aí, logo de manhãzinha, Deus (ou tenha lá o nome que quiserem dar), essa força abstrata e impalpável que tem para comigo uma generosidade infinita, parece ter decidido me desejar boa sorte fazendo um gesto em minha direção e estendendo em suas mãos um presente. Recebi um talismã. Um livro, claro! Porque Deus sabe das coisas. Mas um livro que é mais do que eu ousei desejar!!!

Muitos dos que me acompanham na vida virtual saberão – quando pudermos dizer oficialmente – que eu desejei e escrevi esse desejo no meu mural como quem cola um post-it na alma para não esquecer. Acho que deu certo (acho que Deus certo). Dizem que Ele escreve por linhas tortas. Será? Quem disse que a arquitetura da felicidade é feita apenas de retas? Suspeito que a alegria que se quer, quase sempre, está depois de uma curva. Só que para chegar a ela, às vezes, é preciso ter a coragem de seguir, mesmo sem conseguir enxergar muito bem o próximo trecho da estrada. Assim vou. Assim vamos!