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O Mundo de Arturo

16 de agosto de 2016

Por: Simone Paulino

O encontro de um texto que quer ser escrito com seu autor. O encontro do texto escrito com o seu editor. O encontro do texto escrito a ser editado com o seu ilustrador. O livro ilustrado é quase sempre resultado de encontros nada fortuitos. Há que haver uma química, ou uma mágica, se assim preferirem.

O Mundo de Arturo, de Roberto Parmeggiani e João Vaz de Carvalho, tem essa natureza. Arturo está em nossas vidas antes mesmo de existir concretamente. Há tempos Roberto vinha inventando este personagem. Eu o vi sendo gerado. Acompanhei o texto desde o início e queria muito que Arturo chegasse ao mundo pelas minhas mãos, pelas nossas mãos. Ele autor, eu editora.

Faltava o ilustrador? Não, não faltava. Porque Arturo estava destinado a ser também de João Vaz de Carvalho desde sempre. Arturo é a confirmação de um encontro feliz entre autor-editora-ilustrador. Por isso, nos maravilha tanto ao primeiro olhar, à primeira leitura.

O menino que se inspira em seu tio quixotesco para enfrentar sua luta diária com as palavras é encantador também porque fala com o quixotesco que há em nós. E neste momento em que vivemos, no Brasil, sobretudo, nada é mais quixotesco do que fazer livros e, mais ainda, livros ilustrados. Porque o livro ilustrado tem uma produção longa e custosa. Há que se ter coragem (como Arturo) para enfrentar a batalha de fazer um livro ilustrado de qualidade. Mas coragem não nos falta. Nem ao Roberto, nem ao João, nem a Arturo.

Somos “desejadores” , para usar um termo inventado pelo menino-poeta. Queremos justo o impossível. Porque loucura seria querer só o que é possível, viver só o que faz sentido. Nós não. Não aceitamos essa limitação. Queremos uma verdade inventada!