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José Santos e Guazzelli entram em campo para homenagear Dante Alighieri

18 de março de 2015

Por: Editora Nós

A divina jogada, obra inédita concebida pelo autor mineiro José Santos e pelo desenhista Eloar Guazzelli, é o primeiro título infantojuvenil da Editora Nós, de Simone Paulino. O livro revela como a curadoria da casa editorial pretende interferir na formação de jovens leitores, aproximando-os da tradição literária a partir de obras que resgatam os clássicos e promovem a sua releitura sob uma nova e atual perspectiva. “O objetivo da Nós é lançar obras inéditas de literatura infantojuvenil de autores brasileiros e estrangeiros contemporâneos, para formar o gosto do leitor a partir de um diálogo com a tradição literária. A divina jogada concretiza muito bem essa perspectiva”, enfatiza Simone, criadora e diretora editorial da Nós.

O resgate da cultura popular, a releitura dos clássicos e a relação do esporte com a literatura são aspectos inerentes ao estilo de José Santos que já tem mais de duas dezenas de livros para crianças e jovens publicados, entre os quais, A divina jogada, ao qual se somou também o talento do ilustrador Eloar Guazzelli, conhecido não apenas por ser um ávido leitor de clássicos mundiais, mas por ter realizado a adaptação de uma série deles. Desta vez, a dupla, que adora futebol, entra em campo apostando numa jogada inédita que dialoga diretamente com a obra de Dante Alighieri num momento em que se comemoram 750 anos do seu nascimento.

Releitura de A divina comédia, o mais novo lançamento da Nós evoca o estilo do poeta italiano e a estrutura do clássico para contar uma história um tanto quanto diferente aos leitores, mas da qual participam conhecidos personagens, como o próprio Dante.

Escrito em lúdicas estrofes compostas por três versos decassílabos, com a rima demarcada nas últimas palavras do primeiro e do terceiro verso, A divina jogada apresenta três partidas de futebol sobrenaturais que se passam em estádios com características distintas, cada um compondo um capítulo do livro, como no clássico – Inferno, Purgatório e Paraíso. E tais partidas são assistidas despretensiosamente por dois poetas italianos – Dante e Virgílio -, ponto de vista a partir do qual cada uma delas é narrada.

Em campo, personagens bíblicos, da mitologia e da cultura popular compõem os times em busca da vitória. No Inferno, os poetas assistem ao “clássico mais antigo do universo”, em que o bem enfrenta o mal tendo à frente a Seleção Celestial. Oportunidade única que ambos tiveram para ver de perto “um anjo a bater tiro de meta” enquanto “serafins comem biscoitos de polvilho”. No Purgatório, liderado pelo arcanjo Gabriel e pelo rei Davi, “o time azul é soberano”, deixando “os belzebus com cara de panaca”. No Paraíso, “o Céu tem as mãos na taça”.

As ilustrações compõem os cenários em perspectiva, cada um deles com a predominância da tonalidade que é característica àquele ambiente – Inferno e Purgatório tem tons mais próximos do vermelho, enquanto Paraíso, do azul. Os personagens vivenciam a transição de cores ao passo que fazem a transição dos estádios (capítulos). O início e o fim da história são marcados pela conexão de Dante com a sua amada Beatriz, que pede a ele o regresso à Terra para contar tudo o que viu nesta jornada.